domingo, 21 de junho de 2009

Condição ou opção sexual?


Eu já cheguei a questionar minha sexualidade. Sim, foi na adolescência e fiquei em dúvida se queria homens ou mulheres.Admirava muito as mulheres, fui criada só por avó e mãe. Achava que o sexo forte era o meu, isso já me deixava meio confusa.Um homem pra quê? Cada experiência me dizia que os homens são eternos garotos, nunca amadurecem para, talvez, ocupar o lugar do pai que eu não tive. E então percebi que não queria um homem, sentia falta de pai, talvez do contato com um homem mais velho. Mas a admiração pelas mulheres só aumentava, eu via que muitas eram muito felizes bem longe do ideal feminino de realização. Muitas ocupavam o lugar de homem e se saiam muito bem sem ajuda alguma do sexo oposto.Mas sou uma tremenda narcisista.

Não demorou pra perceber que a mulher que eu admirava (e realmente não era todo tipo de mulher) era parecida com o tipo de mulher que eu busco ser. Ou seja, eu queria mesmo um homem que parecesse comigo em tudo. Então, não queria um homem, queria eu mesma. Terapias de autoconhecimento são bacanas pra narcisistas. Ajudam a enxergar que não somos tão incríveis quanto pensamos ser e deixamos de ficar tão apaixonados por nós mesmos quando constatamos isso. Aí já sabia que não queria mulheres, e também aprendi que não existem homens muito maduros e seguros…

Uma coisa que me deixa meio sem graça hoje em dia é o tanto de novidade do campo de opções sexuais. Você não precisa se definir e isso é até bacana, diversidade é divertido e tals. Sou só eu que me sinto uma múmia quanto o assunto são novidades na cama? Sei lá, sexo pra mim é uma coisa que acontece melhor entre duas pessoas, mas isso parece cada vez mais antigo no mundo de hoje. A moda é sexo grupal… E eu estou de fora, pois o único par de seios que não me incomodo de sentir encostando em mim durante um abraço é o da vovó e mamãe.E dois homens? Acho que não dou conta, não…

Não sou tão Matusalém ao ponto de achar que sexo deve ser feito só com amor e blablablá, whiskas sachet, acho que é possível sentir prazer de muitas maneiras, com ou sem sentimento, hetero-bi-homo-pan-self, acho que tudo é possível. Mas acho que está rolando uma glamouri(banali)zação da putaria. O que poderia ser uma alternativa está se tornando regra e as pessoas estão cada vez menos satisfeitas.

Hoje em dia é “super natural” um cara transar com duas mulheres (ou duas mulheres com um cara, whatever). Não demora nada e vai ser “super natural” dois homens transarem com uma mulher. Logo a moda vai ser gang-bang de idosos na Praça da República. Tudo natural, minha gente. Pode ser mais rabugisse minha, mas essa evolução me parece fruto de muita insatisfação. Acho que se eu fosse uma mal comida, passaria a vida tentando sentir prazer de alguma forma, mesmo que essa forma fosse “alternativa”. Só tenho muita pena mesmo de quem se submete a todas as novidades sem sentir prazer algum, só pelo marketing do “eu já fiz…”

terça-feira, 9 de junho de 2009

A mensagem subliminar da muler maravilha


A Mulher-Maravilha foi concebida por um casal: o psicanalista William Moulton Marston (que revolucionou a ciência, contribuindo de forma vital para a base do entendimento neurológico e emocional, hoje possível) e sua esposa Elizabeth Holloway, que lhe inspirou como modelo, em 1941. Outra inspiração dele para a aparência física da personagem foi sua parceira e aluna Olive Byrne, com quem ele teve uma íntima relação de triângulo amoroso com o consentimento da esposa, uma relação poliamorosa. Apesar do uniforme, a heroína não é americana, nem cristã: é uma amazona grega, politeísta pagã, e originária de uma cultura matriarcal, com as mulheres guiando a sociedade desde a família aos negócios, até nas Forças Armadas.

No início, a heroína era desenhada pelo artista co-autor Harry Peter, em histórias escritas pelo próprio psicanalista. O objetivo do doutor era criar uma alegoria para ilustrar sua revolucionária teoria sobre as relações homem-mulher. E ele viu um grande potencial educacional na linguagem das revistas em quadrinhos. Isso mesmo: a primeira de todas as super-heroínas nasceu de uma tese acadêmica. Criada por um doutor em psicanálise, a Mulher-Maravilha é a mais culta de todas as personagens de gibi. A única a ter um criador tão erudito. E também a que possui a mensagem subliminar mais chocante e escabrosa. Mais: é a única criação famosa deliberadamente baseada numa perversão sexual. E quase mudou o mundo.

Os enredos que o dr. Marston escreveu durante anos tinham uma forte ênfase na submissão física, mental e psicológica dos antagonistas. Os inimigos da Mulher-Maravilha, frequentemente, são amarrados e obrigados a executar ordens. Melhor: as outras amigas amazonas sempre se engalfinhavam em luta-livre ou brincavam de escravidão – possivelmente baseado em suas pesquisas iniciais sobre iniciação de novatas em clubes de garotas ou mulheres. Outro detalhe: o dr. Marston foi o inventor do aparelho detector de mentiras. Isso foi refletido como o laço mágico da Mulher-Maravilha: uma vez preso nesse laço, todo mundo se torna um escravo dela – de corpo, mente e alma.

Não entendeu ainda as idéias do doutor? Pois aqui vai: cientista PhD que inventou o meio de extrair a VERDADE do fundo da alma das pessoas detectando as mentiras, autor de vários livros de psicanálise, autoridade respeitadíssima no meio acadêmico e criador da maior de todas as heroínas (uma das principais divindades do Olimpo dos quadrinhos, que compõe a Santíssima Trindade da DC Comics junto com o Batman e o Super-Homem), William Moulton Marston chocou o mundo (e escandalizou pelo menos metade dele – a população masculina) ao defender a seguinte idéia: o sexo masculino deveria se submeter ao poder do sexo feminino. Somente assim o mundo pode conhecer a Paz e a Humanidade renunciar à Guerra: quando os homens se tornarem escravos voluntários das mulheres. E vice-versa: as mulheres se realizariam seguindo a vontade de seus homens. Cada pessoa deveria se submeter a seu amante, extraindo prazer e auto-realização. Pois somente no exercício recíproco da submissão á pessoa amada é que todos se sentem livres e felizes.

"A única esperança para a paz é ensinar ás pessoas que estão plenas de energia e força de vontade, que gozar é o limite... Só quando o controle de si por outros é mais agradável que a afirmação de si próprio em relacionamentos humanos podemos esperar uma sociedade humana pacífica e estável... Dar-se a outras pessoas, deixar-se controlar por elas, submetendo-se a outras pessoas, talvez não possa ser agradável sem um elemento erótico forte. Por isso a Natureza nos dividiu em dois sexos opostos: para encontrarmos o Paraíso um no outro".

Sobre leitores masculinos, ele mais tarde escreveu: "Dê a eles uma mulher sedutora e mais forte para quem se submeter, e eles serão orgulhosos de tornarem-se seus escravos sempre dispos
tos!"

Finalmente uma pessoa sensata! Enfim um psicanalista perfeitamente lúcido!

Pra mim, faz muito sentido..

Por Ernesto Ribeiro